PRETOFAGIA: Uma exposição-cena

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, 2019

Curadoria: Marcelo Campos

“Em Pretofagia, Yhuri ambiciona o mergulho, em si, nas outridades, num devir coletivizado. No ensaio cênico escrito pelo artista que é encenado na exposição, Yhuri reflete que o “corpo subjetivo preto” se faz como “um corpo dentro do corpo”. Resultado de uma residência do artista no CMAHO, durante o processo de trabalho foram convidadxs artistas, performers, psicanalistas negrxs que trouxeram para o debate a racialização em âmbitos mais ampliados, da arte à psicanálise, do teatro ao cotidiano. Branco e preto são as cores predominantes nos trabalhos apresentados. Palco e plateia, corpo e voz, eu e outrx. (…) O teatro proposto em atos por Yhuri, discutidos durante a residência no espaço expositivo, pensa o corpo negro inventado “como uma cena”, o que se caracteriza por atravessamentos entre dualidades e coletivizações. As personagens se tornam, se transformam, se recusam, se permitem. Andam em procissão, lutam em cabo de guerra, se exibem. As palavras proferidas em atos retornam, todas, ao corpo, reelaborando as recusas e performando o posicionamento frente ao precipício. A dualidade, nas cenas, ganha certo acento grave. E a singularidade dos gestos tanto se aproxima da catarse, quanto se hibridiza ao transe e à meditação”.

(Trechos do texto de Marcelo Campos)

PRETOFAGIA. Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro 2019. Exposição, conceito, texto e direção da cena: Yhuri Cruz. Artistas-criadores da cena: Alex Reis, Caju Bezerra, Dani Câmara, Davi Pontes, Ellen Correa, Mayara Velozo, Nelson da Silva, Pedro Bento e Yhuri Cruz. Curadoria e assistência: Marcelo Campos e Fernanda Carvalho. Fotografia: Alex Reis, Bernardo Feitosa, Pedro Linger e Yedda Affini.

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